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Bancada aciona Comissão de Direitos Humanos para investigar ameaças sofridas por Andreia de Jesus em Minas

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados encaminhou, na tarde de sexta-feira (5/11), um pedido ao presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM), Carlos Veras, de investigação e encaminhamento de providências sobre as graves ameaças sofridas pela deputada estadual Andréia de Jesus, do PSOL Minas Gerais.

O documento também foi copiado ao presidente da Câmara, Arthur Lira. No ofício, os parlamentares sugerem que a CDHM faça, de imediato, três solicitações ao Estado de Minas Gerais: disponibilização imediata de escolta policial à deputada; pedido de rigor e celeridade nas investigações por parte das autoridades sobre a autoria das ameaças endereçadas à parlamentar; que as cópias do referido documento, em nome da Câmara dos Deputados, sejam enviadas ao Governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema, ao Secretário de Segurança Pública do Estado, ao Procurador-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais e ao Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais.

No último dia 31, a deputada Andréia retornou de uma agenda internacional de cooperação entre Brasil e Senegal para o desenvolvimento da agroecologia e acolheu as denúncias e pedidos de ajuda de mães de vários dos 26 jovens mortos em uma ação policial em Varginha (MG). Após a Comissão de Direitos Humanos da ALMG dar encaminhamento às denúncias e a deputada tornar público o ocorrido, as ameaças à sua vida surgiram e se intensificaram.

“Sou mulher preta, mãe solo, a primeira pessoa com curso superior na minha família. Sou advogada popular, militante das Brigadas Populares, filha de empregada doméstica, meus primos são garis e com muito orgulho construo o Partido Socialismo e Liberdade!”, ressaltou Andreia de Jesus após o ocorrido.

Segundo dados do relatório “Violência Política e Eleitoral no Brasil”, que traz um panorama dessas ocorrências no país, o número de casos aumentou significativamente desde 2018. A cada 13 dias o Brasil registra pelo menos um caso de violência contra candidatos ou pré-candidatos, em todos os níveis da federação e entre as mais variadas filiações partidárias – média calculada desde 2016 e com escopo de análise restrito a representantes de cargos públicos.

De forma alarmante, ainda segundo o mesmo relatório, mulheres políticas, em especial mulheres negras, são desigualmente afetadas pela violência política. O registro de casos relativos a ataques relacionados à orientação sexual e identidade de gênero de agentes políticos têm se intensificado na medida em que muitas dessas pessoas passam a ocupar cargos eletivos com votação expressiva e, consequentemente, projeção nacional.

“No contexto de ascensão da extrema-direita, a situação em que se encontra o país é de enorme gravidade e demonstra uma escalada de violência que coloca em risco a própria democracia brasileira. A tentativa de intimidação da Deputada Andréia de Jesus, mulher negra, jovem e socialista – com voz ativa na política institucional – demonstra que as instituições precisam reagir com vigor contra a violência política”, destaca a carta enviada à CDH.

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