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Talíria e Áurea repudiam novo presidente da Fundação Palmares

Recebemos nesta tarde, com absoluto espanto e indignação, a notícia de que a presidência da Fundação Cultural Palmares será assumida pelo jornalista e militante bolsonarista de direita, Sérgio Nascimento de Camargo. A mudança faz parte de uma série de indicações pessoais do recém-nomeado Secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim. Além da Fundação Palmares, a Secretaria do Audiovisual e a Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura tiveram novos dirigentes nomeados nesta quarta-feira.

A Fundação Cultural Palmares, atualmente vinculada à Secretaria de Cultura do Ministério da Turismo, é o primeiro mecanismo institucional de proteção e promoção ao patrimônio cultural negro brasileiro. Foi uma conquista do Movimento Negro Brasileiro, no marco da Constituinte, para que o país começasse a reconhecer o enfrentamento ao racismo como uma política de Estado.

Nesses 37 anos, a Fundação Palmares foi decisiva para a garantia dos direitos sociais e culturais da população afro-brasileira. Sua atuação esteve centrada no desenvolvimento de políticas públicas de reconhecimento às comunidades quilombolas, proteção do patrimônio cultural e religioso negro, fomento à cultura e às artes afro-brasileiras e produção de informações de referência sobre cultura negra no Brasil.

Todo esse legado é ferido de morte com a nomeação de Sérgio Camargo para a presidência da Fundação Palmares. Camargo é mais uma peça na engrenagem de ataque e violação de direitos que o desgoverno Bolsonaro vem impondo ao Brasil.

Em seus perfis de redes sociais, Sérgio nega a existência do racismo e da importância estrutural do Movimento Negro para a emancipação de 55,6% da população. Além disso, ataca símbolos da história afro-brasileira, como Zumbi dos Palmares e o Dia da Consciência Negra, desrespeita as religiões de matriz africana e as manifestações da cultura periférica como o funk e o hip-hop.

Ainda, Camargo tem um histórico de agressões às personalidades negras brasileiras, principalmente às mulheres, e à memória da nossa querida companheira Marielle Franco, reconhecida internacionalmente por seu trabalho contra o racismo e o genocídio da população negra e periférica.

É inadmissível que alguém com esse perfil assuma a presidência desta fundação que nasce com um papel fundamental de enfrentamento ao racismo, por meio da proteção e promoção das manifestações culturais afro-brasileiras, bem como da produção de conhecimento sobre a contribuição do povo negro para a construção do país.

Não vamos permitir que a apologia à violência e a intolerância contaminem o histórico de atuação da Fundação Cultural Palmares. Estamos atuando para barrar as tentativas sistemáticas de ataque e desmantelamento dos direitos da população negra!
 

Áurea Carolina e Talíria Petrone
Deputadas Federais pelo PSOL

 

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