• Manifesto internacional contra a violência política

  • Parlamentares, intelectuais, artistas e ativistas assinam manifesto internacional em apoio a Talíria Petrone

    Alvo de constantes ameaças contra a sua vida, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) recebeu apoios de peso, não só do Brasil, mas também de vários outros países do mundo.

    O manifesto internacional contra violência política no Brasil e em solidariedade à deputada contou com o apoio de deputados do Parlamento Europeu, de parlamentares do Chile, Colômbia, EUA, Espanha, França, Portugal, Suíça, Venezuela, México, Grécia, entre outros, de políticos e parlamentares brasileiros, dentre eles o presidente nacional do PSOL, as lideranças de oposição na Câmara dos Deputados, a coordenadora da Bancada Feminina da Câmara e toda a bancada do PSOL (mandatas negras, bancadas municipais, estaduais e federal), e de mais de 60 artistas e jornalistas.

    Entre ativistas, intelectuais e pesquisadores, a lista conta com o apoio de mais de 300 assinaturas do Brasil e de diversos países do mundo, incluindo lideranças do movimento negro, feministas, LGBTIs e ecossocialistas.

     

    Confira, abaixo, a íntegra do manifesto. Clique aqui para ver a lista completa com as mais de 600 assinaturas nacionais e internacionais.

     

    Declaração contra a violência política no Brasil e em solidariedade com Talíria Petrone

     

    A violência política de gênero e raça é um problema grave no Brasil que não tem sido encarado com a devida seriedade pelas instituições brasileiras. No ano passado, Jean Wylys, parlamentar gay eleito pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), teve de deixar o país sob ameaça de morte. O assassinato de Marielle Franco, então vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, foi exemplo emblemático deste quadro. Marielle, uma mulher negra que amava mulheres, era socialista e defensora de direitos humanos. Foi brutalmente executada em 14 de março de 2018, em um crime político que ainda aguarda solução.

    Lamentavelmente, outras companheiras que também tomaram como tarefa a defesa do direito à vida da grande maioria da população e de pautas fundamentais para a democracia nos espaços institucionais, têm de lidar com um cenário de ataques cotidianos. É o caso de Talíria Petrone, atualmente deputada estadual do Rio de Janeiro pelo PSOL, que iniciou a vida pública em paralelo com Marielle, dividindo com ela as dificuldades por serem mulheres negras nos parlamentos locais.

    Talíria Petrone vive sob a constante ameaça de morte por usar seu mandato para defender bandeiras como a ampliação de direitos e o fim do genocídio do povo negro. Desde que assumiu como deputada, já foi notificada oficialmente sobre seis denúncias de planos para sua execução. Embora seja uma parlamentar eleita com mais de 100 mil votos, não tem sua proteção plenamente garantida pelo Estado.

    Sabemos que esta é uma triste realidade de muitas mulheres parlamentares de esquerda, especialmente negras, em todo o mundo. Em países marcados por processo de colonização e com históricas instabilidades e fragilidades institucionais isto é ainda mais agravado. No Brasil, mulheres que colocam seus corpos à disposição da luta para enfrentar estruturas de poder e ocupar o parlamento com vozes que representam favelas, comunidades indígenas, imigrantes, pessoas perseguidas e criminalizadas pelo próprio Estado, são um dos principais alvos da política de ódio em ascensão.

    De acordo com um estudo recente realizado pelas organizações da sociedade civil Terra de Direitos e a Justiça Global, mulheres representam 76% dos alvos de casos de violência política no Brasil. Contra elas, os ataques possuem contornos próprios como a contestação de suas autoridades como agentes políticas.

    Este cenário constitui um poderoso obstáculo para vencermos o conservadorismo e aprofundarmos a democracia em todo o mundo. Para que seja possível que mulheres disputem e ocupem espaços de poder, é preciso assegurar que tenham garantido o direito de se posicionarem na esfera pública, livre de ameaçadas, de constrangimentos e discriminações. É preciso garantir, sobretudo, que estejam vivas.

    Ataques a mulheres e corpos negros não devem ser naturalizados em nenhum contexto, inclusive no exercício de mandatos parlamentares e em processos eleitorais. A população não deve ter como mensagem a ideia de que o poder não deve ser ocupado por aquelas que representam mais da metade da população, e não deve existir nenhum espaço institucional no qual as mulheres sejam proibidas ou desencorajadas de estar.

    A luta contra a violência política de gênero e raça é uma tarefa de todas e todos nós. Assim, manifestamos nossa solidariedade e apoio à deputada federal Talíria Petrone e todas as parlamentares e candidatas brasileiras, especialmente as candidatas e parlamentares negras, e instamos as instituições brasileiras a tomarem providências efetivas para garantir a segurança dessas pessoas.

     

     

    Destacamos alguns nomes que assinaram o manifesto:


    Benedita da Silva
    Celso Amorin
    Jupiara Castro
    Douglas Belchior
    Fernando Haddad
    Paulo Sérgio Pinheiro: Ex-ministro de Direitos Humanos e ex-Relator Especial da ONU
    Óscar Laborde: Presidente do Parlasul, Argentina
    Kshama Sawant: Vereadora em Seattle pela Socialist Alternative, EUA
    Diana Riba i Giner: Eurodeputada - Esquerra Republicana de Catalunya, Estado Espanhol
    Piedad Esneda Córdoba: Senadora, Colombia
    Leila Chaib: Europarlamentar - França Insubmissa, França
    Sandra Fay: Vereadora - Solidarity & Socialist Party, Irlanda
    Isabel Santos: Eurodeputada - Partido Socialista, Portugal
    Helmut Scholz: Eurodeputado - DIE LINKE, Alemanha
    Adolfo Pérez Esquivel: Premio Nobel da Paz, Argentina
    Bianca Santana: Escritora, jornalista e integrante da Uneafro
    Driade Aguiar: Mídia Ninja
    Judith Butler: Filósofa - UC Berkeley, EUA
    Jules Falquet: Sociologa/Feminista - Université Paris7, França
    Jurema Werneck: Direitora da Anistia Internacional
    Iêda Leal: Coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado (MNU)
    Nancy Fraser: Professora na New School University (Nova Iorque), EUA
    Tithi Bhattacharya: Professora na Purdue University, EUA
    Cinzia Aruza: Professora da Nova Yorque Unviversity, EUA
    Citlalli Hernández, Secretaria General do partido Morena, México
    Nora Cortiñas: Mães da Praça de Maio, Argentina
    Pilar del Río: Fudanção Saramago
    Silvio Almeida: Professor Universidade Mackenzie e Fundação Getúlio Vargas
    Vilma Reis: Socióloga, feminista, ativista do Movimento de Mulheres Negras, Defensora de Direitos Humanos e Co-fundadora da Mahin Organização de Mulheres Negras
    Astrid Fontenelle: Jornalista e apresentadora
    Chico Buarque: Cantor e compositor
    Dira Paes: Atriz
    Elisa Lucinda: Atriz e escritora
    Flávia Oliveira: Jornalista
    Hildegard Angel: Jornalista
    Sonia Braga: Atriz
    Teresa Cristina: Cantora
    Tuca Andrada: Ator
    Debora Lamm: Atriz

    Agradecemos a todas e todos que já assinaram e contamos com o apoio de vocês para assinarem também, ampliando nossa lista de defesa da democracia, contra a violência política e em defesa da deputada Talíria Petrone.
     

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